tecnologia.
Mas há duas questões que ainda são muito conturbadas quando o assunto é
educação a distância aplicada ao mundo corporativo: avaliação e retorno
de investimento (ROI). Nem todas as empresas utilizam sistemas de avaliação
e várias, ainda, não conseguem mensurar o exato retorno dos investimentos
feitos em e-learning, apesar de terem certeza que os benefícios são grandes.
Em 2002, a Nucleus Research, empresa americana de consultoria de TI, fez
algumas análises sobre os investimentos em tecnologia que apresentam maior
retorno de investimento e quais têm um resultado insatisfatório. O item
"soluções de e-learning", foi o segundo na categoria dos itens mais rentáveis
para as empresas. A pesquisa demonstrou que as corporações que implementaram
essas soluções reconhecem os benefícios de primeiro nível, como gastos com
viagens, despesas gerais de recursos humanos, adequação regulamentar e custos
de atendimento ao cliente.
O estudo também mostrou que, eventualmente, as empresas recebem os benefícios
de segundo nível, como o aumento do desempenho dos funcionários, que afeta
diretamente na lucratividade. A Nucleus ainda apontou que a maioria das
empresas pode obter retornos significativos, mesmo que seja a partir de
modestos investimentos em tecnologia de e-learning.
Já no Brasil, a realidade é um pouco diferente. Durante o Congresso ABED
do ano passado, a Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), de Salvador,
apresentou uma pesquisa realizada com 80 empresas de todo o País. O resultado
foi que apenas 5% das empresas fazem avaliações métricas de sua educação
corporativa, mas 55% gostariam de fazê-la. Já 20% das organizações realizam
estudos de ROI, sendo que 55% gostariam de realizá-lo. Mas o dado mais preocupante
é que, de acordo com a pesquisa, 35% dos diretores acompanham e cobram resultados
da educação corporativa e 60% não acompanham e não se informam sobre o processo.
O consultor Marcelo Smith, diretor executivo da Smith Gestão do Conhecimento,
concorda que no Brasil ainda há poucas empresas que fazem uso de processos
de avaliação sobre o treinamento. "Mas algumas começam a associar sistemas
de avaliação de performance com os sistemas de aprendizagem, para poder
comparar o nível de conhecimento de uma pessoa com a ação na prática." Ele
cita como exemplo a associação das informações de resultados de um vendedor
com o seu aproveitamento, ou a comparação do nível de conhecimento em práticas
de relacionamento de um operador de call center, com os relatórios sobre
qualidade de atendimento.
ROI
Embora a economia com a aplicação de e-learning seja alta, quando comparada
aos custos de treinamentos presenciais - com reservas de local, tirar pessoas
do trabalho, pagar passagens e estadias etc -, esta não é a melhor forma
de avaliar o retorno do investimento de um projeto de educação a distância.
"O maior benefício do e-learning está em outros fatores muito mais relevantes,
principalmente na atual Era do Conhecimento. Hoje, com o e-learning, boa
parte do conhecimento é documentado e disponibilizado de forma muito mais
ampla a todos os funcionários. E isso faz com que eles aprendam mais rapidamente",
afirma Smith. Ele lembra que o conhecimento é um fator fundamental para
a competitividade e a sobrevivência das empresas. Além disso, o capital
intelectual tem um valor incalculável. "Para se obter retorno, basta investir
corretamente em sistemas, conteúdos e em pessoas que saibam como administrar
de forma competente o e-learning", sugere.
Mas quando o assunto é conteúdo e sistemas, as coisas também se complicam
no e-learning no mundo corporativo. Isso porque há empresas que optam pelo
desenvolvimento interno mas, ultimamente, já existe um amadurecimento das
melhores práticas e idéias, que aponta para o fato de que é melhor terceirizar.
A razão disso é muito simples: os sistemas existentes são desenvolvidos
por grandes empresas especializadas no assunto. Assim, são fáceis de serem
personalizados, de acordo com as necessidades de cada empresa. "Desenvolver
um sistema internamente é pagar muito caro para reinventar a roda", analisa
Smith.
Quanto aos conteúdos, o consultor acredita que o mercado ainda é muito imaturo.
Isso porque várias empresas apostam que basta comprar um software e colocar
nas mãos de alguma pessoa do setor de treinamento. "Para se desenvolver
qualquer conteúdo, é preciso ter a participação de uma equipe multidisciplinar,
muito competente. Ou será que qualquer usuário do Microsoft Word pode se
tornar um Jorge Amado?", desafia.
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