Critérios e indicadores ajudam empresas a avaliar o e-learning  

Pesquisa sobre mensuração de resultados no universo corporativo une orientadores, mestres doutorandos e mestrandos na busca por um modelo de avaliação que beneficie todos os programas de e-learning
 
Ao longo dos anos, a evolução apresentada pelas teorias administrativas trouxe, também, a preocupação com a capacitação dos colaboradores, desde a mera sistematização de atividades operacionais, até a atual gestão do conhecimento como ferramenta de vantagens competitivas. Assim, a capacitação de funcionários, principalmente com o e-learning, se tornou uma questão estratégica para o mundo corporativo. Mas como avaliar os resultados organizacionais, a partir da implantação de um sistema EaD?

É necessário identificar critérios e definir indicadores que contemplem os aspectos gerais e específicos das empresas. Porém, sem esquecer do alinhamento com as estratégias de cada negócio. Esta é uma das conclusões da Dra. Marina Keiko Nakayama, professora da Escola de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Marina, em conjunto com suas alunas doutorandas, está realizando um grande projeto que tem exatamente o objetivo de mensurar os resultados da EaD no mercado corporativo, chamado Definição de Critérios e Indicadores de Desempenho para Sistemas de Treinamento Corporativo Virtual. “Procuramos relacionar os resultados com a estratégia corporativa, considerando as especificidades de cada uma das empresas”, explica.

Em uma primeira etapa do projeto, foram utilizados os dados pesquisados em 32 empresas sobre questões relativas aos resultados com o e-learning. Também fez parte da pesquisa, um estudo de caso com uma empresa da área de varejo do Rio Grande do Sul, que incluiu observação direta e analise documental, além de entrevistas.

Como resultado desta pesquisa surgiu a dissertação de Christine da Silva Schröeder e um protótipo de mensuração dos resultados obtidos em EaD. Para chegar a este modelo foram utilizados alguns referenciais teóricos, como as especificidades de indicadores do Balanced ScoreCard (BSC) – uma metodologia de gestão estratégica, criada por Robert Kaplan e David Norton –, em que os objetivos de uma empresa são estabelecidos e monitorados pela definição de indicadores de performance. O modelo ainda utilizou indicadores de qualidade, como a avaliação de quatro níveis de treinamento do escocês Kirk Patrick: reação, aprendizado, comportamento e resultados.

Segundo Marina, este protótipo ainda está sendo aperfeiçoando. “Para gerarmos um modelo, nossa preocupação é contemplar tanto os dados comuns às empresas em geral, quanto os critérios e indicadores com as especificidades de cada uma”, afirma. Ela conta que também estão envolvidos neste projeto os doutorandos Bianca Smith Pilla, que está na Austrália pesquisando empresas para comparar resultados; e Daniel Haro, além dos mestrandos Mônica Fonseca Soares e Paulo Oliveira.

Para Christine, a pesquisa é extremamente relevante do ponto de vista empresarial, além de toda a preocupação com a visão acadêmica. “Procuramos apresentar um modelo de avaliação aplicável a todos os programas de e-learning, devido à constante preocupação com a mensuração de resultados.”

Segundo ela, mesmo que a literatura especializada tente nortear a avaliação, a inovação do estudo está presente na grande dificuldade de identificação aproximada do "o que medir" e do "como medir", correlacionando indicadores, objetiva e subjetivamente, quantificáveis.

Christine acredita que não são poucas as empresas que enfrentam dificuldades relacionadas ao processo de avaliação, já que há resultados tangíveis (essencialmente financeiros) e intangíveis a serem avaliados. Ela cita como exemplo de resultados intangíveis o relacionamento com os clientes, produtos e serviços inovadores, tecnologia da informação, capacidades, habilidades e motivação dos empregados.

O estudo ainda é apenas um protótipo de avaliação a ser aperfeiçoado e complementado pela continuidade das pesquisas do grupo. Para a pesquisa, Marina e seus alunos recebem apoio do CNPq, da Capes e da UFRGS, como bolsas de estudo e permissão para o uso de bibliotecas e laboratórios. As empresas que estiverem dispostas a ajudar podem entrar em contato pelo email marina@ea.ufrgs.br.